sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Olhando a vida para além das nuvens


Lúcia Vaz Pedro, a autora de “Janelas para além das nuvens”, regressa com mais um romance. “A Voz da minha Solidão” que é considerado pela escritora o seu melhor livro, foi recentemente publicado e aborda o tema da solidão das pessoas.

Mafalda Ferreira

Lúcia Vaz Pedro aborda nos seus livros temáticas da actualidade. Durante as suas sessões de autógrafos apercebeu-se que as pessoas são muito sós. Apesar de interagirem umas com as outras, há pessoas que se fecham nos seus casulos e não têm ninguém com quem partilhar os seus momentos. Assim, em “A voz da minha solidão” criou uma personagem que se identificasse com esses leitores: “Olinda, esta personagem era uma mulher por quem eu sentia pena, uma grande compaixão por ela viver sozinha e obcecada por um amor do passado.”

Lúcia Vaz Pedro afirma que a personagem idosa, que vivia sozinha e criou um mundo fictício, provou ser tão forte que acabou por enganar a escritora, de tal modo que lhe pareceu que o livro começou a escrever-se a si próprio. “ Quando dou conta ela não era assim, ela era uma mulher muito caprichosa e como a vida não lhe proporcionou atingir aquilo que ela pretendia, ela vive como quer, mesmo que seja uma ilusão. A própria solidão nos transforma e nós construímos personagens que se encaixam no nosso mundo ilusório.”

Os seus livros têm por trás um enorme trabalho de pesquisa e levam os leitores a outras paragens. Os primeiros romances que escreveu “Para além das nuvens” e “A caminho da plenitude” levavam o leitor para África e Vietname respectivamente e apresentavam-lhe a crenças e culturas diferentes, em particular à filosofia budista, que mudaram o modo de ver a vida da escritora. Neste livro, Lúcia Vaz Pedro explorou o mundo da música clássica para ajudar a construir a personagem principal que era pianista e sente que escrever sobre coisas diferentes a enriquece. “Aprendi imenso. Não sabia nada sobre música clássica.”

No romance também está presente uma perspectiva sonhadora, que se traduz na quantidade de cartas de amor que existem ao longo do livro. No entanto estas cartas de amor têm o mesmo remetente e destinatário: Olinda que responde às suas próprias cartas, dentro da ilusão que cria. “As pessoas gostam de uma perspectiva sonhadora. A perspectiva sonhadora do livro está também presente, na medida em que há muitas cartas de amor. Só que numa carta de amor tem de haver um remetente e um destinatário, só que ali, o remetente e o destinatário são os mesmos. Ela escreve para ele mas é ela que responde por ele, porque ele já não existe.”

A autora mostra-se feliz com o trabalho desenvolvido no livro “A voz da minha solidão”: “Considero que este seja o meu melhor livro porque é uma literatura muito sentida.”

Lúcia Vaz Pedro debate-se com a dificuldade de dar a conhecer os seus livros


Lúcia Vaz Pedro, autora de “A voz da minha solidão”, lamenta que haja maior primazia em Portugal para os livros de quem pague mais. A autora defende que os escritores deviam ser todos postos na mesma barra de publicidade.

Mafalda Ferreira

Sempre que publica um livro a escritora de “A voz da minha solidão” depara-se com a dificuldade de dar a conhecer as suas obras. O principal motivo é não ter acesso a uma melhor divulgação. “Eu acho que o valor deveria passar não tanto a nível de publicidade paga, mas do valor que as pessoas têm. Pelo menos que me deixem aparecer ou que dêem um bocadinho de ouvidos ao que está aqui escrito. E não só aquelas pessoas que estão em editoras maiores, em editoras fortes capazes de mover montanhas.”

Lúcia Vaz Pedro afirma que os escritores deviam ser todos postos na mesma barra de publicidade, dando ao leitor a oportunidade de escolher e não ser induzido a. O leitor é induzido pela quantidade de publicidade e divulgação que o livro e o autor têm: “Sinto uma revolta porque os outros têm voz e eu não tenho. E é por isso a voz da minha solidão se calhar é uma maneira forte de justificar.”

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

O inicio da caminhada

Começamos hoje a nossa longa viagem para caçar estrelas, aqueles pensamentos fugazes que se escondem por detrás das nuvens.
Aqui expomos as nossas opiniões, divagações e vivências que permitem aprender algo de novo. Avisamos que à partida pode parecer estúpido, mas se prestarem atenção pode fazer sentido... porque a vida é mesmo assim... estúpida, mas com sentido!